Surdez: prevenção é importante em todas as fases da vida


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 400 milhões de pessoas no mundo sofrem de perda auditiva, sendo 10 milhões no Brasil. As causas de surdez podem estar relacionadas a diversos fatores: genéticos, ambientais ou decorrentes do envelhecimento. Muitas podem ser prevenidas e, por isso, é importante esclarecermos as medidas para evitá-las em cada uma das fases da vida.

A cada mil recém-nascidos, três já apresentam algum grau de perda auditiva. A prevenção deve começar antes mesmo da vida ser concebida. Um casal, ao decidir engravidar, deve procurar orientação médica, tomar conhecimento das vacinas que se deve tomar e fazer exames para avaliar a própria saúde. A rubéola, por exemplo, é uma doença que tem vacina, mas que, quando adquirida por uma gestante, pode provocar alterações como surdez e cegueira no feto. Além disso, algumas situações em que há casos de doenças familiares, um aconselhamento genético pode ser realizado.

Uma vez confirmada a gravidez, é preciso iniciar o pré-natal o quanto antes. Algumas doenças, tal como a sífilis, podem ultrapassar a placenta e causar malformações diversas no feto, incluindo a dos ouvidos. A detecção precoce pode evitá-las. Sempre consultar o médico antes de tomar qualquer medicamento na gravidez, pois alguns são ototóxicos, ou seja, tóxicos para os ouvidos. Também é importante evitar os hábitos de fumar, consumir bebidas alcoólicas e drogas.

Desde 2010, a Triagem Auditiva Neonatal ou Teste da Orelhinha é um direito garantido de todos os recém-nascidos e deve ser realizado idealmente nas primeiras 48h de vida. O Teste da Orelhinha permite a identificação precoce de perdas auditivas, refletindo em intervenção mais rápida. Atualmente, há muitas opções de tratamento e de reabilitação que podem permitir o desenvolvimento adequado da audição e da linguagem da criança que falha nos testes. Essas opções podem ser medicamentosas, cirúrgicas ou com uso de aparelhos auditivos, dependendo de cada caso.

Algumas infecções adquiridas na infância também podem causar surdez, tais como a meningite e a caxumba. Portanto, os bebês e crianças devem ser vacinados.Um médico deve ser consultado sempre que a criança tiver dor de ouvido; estiver com ouvido vazando líquidos ou sangue; ou se estiver desatenta aos sons, pois inflamações (otites) também são potenciais causadoras de perdas auditivas, muitas vezes, reversíveis.

A atenção deve ser redobrada com objetos pequenos como grãos, brinquedos, entre outros, pois a criança pode inserir no ouvido. Cotonetes devem ser evitados afim de não causar danos ao tímpano; assim como deixar a criança exposta a ambientes ou brinquedos muito ruidosos.

É entre os jovens que os problemas de audição têm aumentado pelo uso diário de fones de ouvido para ouvir música. Pesquisas mostram que este hábito gerou um aumento de queixa de zumbido entre adolescentes. A OMS fez recentemente um alerta de que 1 bilhão de jovens corre o risco de ter surdez entre os 30 e 40 anos, por este motivo. Para se ter uma ideia, uma pessoa que ouve 15 minutos de música a 100 decibéis (dB) está exposta a danos semelhantes aos enfrentados por um operário que trabalha oito horas por dia exposto a 85 dB.

O volume de dispositivos de áudio pessoais, como tocadores de mp3, pode chegar a 135 dB no nível máximo. Quando os sons são muito fortes ou a exposição ocorre regularmente e de forma prolongada, as células sensoriais da audição podem ser danificadas permanentemente, causando perdas irreversíveis da audição. O relatório da OMS recomenda que as pessoas usem esses aparelhos não mais do que uma hora por dia e a um volume baixo.

Para proteger os ouvidos em shows, bares e casas noturnas, é recomendável posicionar-se longe de qualquer amplificador ou alto-falante. Tampões de ouvido também são indicados se o local for muito barulhento. Os músicos devem evitar ensaios no volume máximo e usar protetores de ouvido enquanto estiverem tocando. Atualmente, também é possível monitorar a exposição a níveis de ruídos prejudiciais por meio de aplicativos para smartphones. É a prevenção ao alcance de todos.

A terceira idade é outra fase que merece atenção quando o assunto é surdez. Metade das pessoas acima de 75 anos tem algum grau de perda auditiva, segundo a OMS. Com o aumento da expectativa de vida no país, houve um crescimento de casos de surdez nessa faixa etária. Há muitos estudos atualmente relacionando a surdez em idosos a um risco aumentado de problemas cognitivos, maior atrofia cerebral, demência e depressão.

Segundo esses estudos, a diminuição dos estímulos cerebrais, somada ao isolamento social e familiar, pode contribuir para uma atrofia cerebral mais acelerada do que em idosos com audição normal. Portanto, dar a eles a chance de diagnóstico e reabilitação auditiva, muitas vezes conseguida com o uso de aparelhos auditivos, também é uma forma de prevenir doenças demenciais e emocionais.

Em todas as situações apresentadas, em qualquer fase da vida ou sempre que houver queixa de audição alterada, é importante procurar por um especialista. Cuidar da saúde auditiva nos permite manter e prolongar essa conexão ao rico mundo sonoro que nos cerca.


Natália Quinhone Shigematsu
Otorrinolaringologista - Modalidade Auditiva da APAE/CER de Batatais

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